Para-me! Gritocão

Este blog é um convite. Adentrem. Passando pela ombreira da linguagem, chegando ao que chamaremos de livro. Tirem os sapatos, fiquem à vontade, não há ninguém em casa. Apenas mantenham as janelas abertas para dar vasão.
PARA-ME [GRITOCÃO]

quinta-feira, 15 de março de 2012

Jamais sair dessa roda gigante mas
trocar de carrinho como a mente troca
de sonho, posto que está  na ficção do sono, mas
há também numa parte de ser
do sono onde o corpo ocupa o lugar do sonho e
o espírito torna-se invisivelmente
e a carne passa à ficção como se
a morte fosse, e sendo assim, a maravilha.

Eu tratarei meu corpo como uma obra
para que reste
como testemunha, as leviandades
da beleza intocada que dorme

como na morte que tem na sua
linguagem própria o assustador
silêncio das auroras
boreais.

E se me pre-ocupo
devolvo-te palavras

a brincar, a brincar, a brincar:

quero figos azulados enaltecendo
o marfim do ventre
quero a África
a luz negra sobre e apenas sobre
a cegueira solar
e quero o
           ----    direito
des-perso analizado das palavras

e mesmo que com isso caia sobre
nossas cabeças e caia sobre apenas
caia sobre, insistentemente como
existir, pois esta é a preguiça das coisas:
vão existindo, havendo, qualquer objeto
sobre outro objeto sobre outro sobre
as palavras estendidas que cairão
sobre nossos sexos inquietados

essas gentes
cegas

a ignorar a única ficção

o homem.

Nunca mais parar de pensar

Nunca mais parar de pensar

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

falaram, falaram, falaram tanto que
 - esse é o inferno do homem.

sinto dores como se crescessem
membros internos, braços despontando
mãos que passeiam entre meus órgãos
e brota água na caverna da alma
como uma mina-nada
cristalina mas propulsora e
isso há de ser deus, um troço
sem direção, cego, com o sexo afloradíssimo,
na expansão onde


todo corpo chora sem sentimento,
toda gente excrementa involuntariamente
como se falasse, falasse, falhasse

falasse, eu falo

a lua é a linguagem do sol
e não é nada, porque as pessoas a tomam
para si, mas ninguém toca na solidão
da lua, nem na solidão do sexos, nem no interminável
trabalho sujo de deus nas coisas, no vento
que não repousa, incansável, nisso
que brota de dentro sem pensamento, sem
dizer, como um sonho de um verme incrustado e
fixo na carne na promessa inofensiva, mas a doença está
na ficção do verme em acreditar ser toda a vaca e
isso interrompe a vaca, desassossegada

como

as palavras que interrompem o homem
que fala,
mas que não tocará nunca 
na beleza do primeiro sonho
porque ele é a carne incrustada no verme,
porque a doença de deus não tem fim.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os dedos como escarpas ou
ou apenas vacas separadas 
do sentimento, a carne mítica, a
festa, as brigas, olhares em desarmonia 
e nas escarpas dos dedos o sangue de
um estrangeiro figura-se carne,
objeto posto para fora de deus:

Taludes em seu  próprio exercício
sem mais
[escrevo]
amém.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Há nessa angustiada fuga sua
própria prisão, algo que desabrolha, conforme
tudo que se rebela em si
a própria vontade do sexo, que é o mais
belo,
esse desejo
tocá-lo, tão, apenas
tocar nos sexos, delicadamente,
primeiramente como nos mortos,
e depois, com a crueldade daquele que mata.

Traga as suas vontades! eu ouvi distante, e pensei
correndo em todos os olhos, nas sonolências dos sexos mais
belos, em seus despertares e
era como se amanhecera sempre e
havia dentro de mim os céus de todas as gentes
e o sexo muito fino das coisas transitava na
veleidade e
só.

Como cascatas urgenciais, os corações
das
mães inimagináveis, que perdem o sentidos
de-vido ao amor da-vida pela
cria.

Morte, grita aquilo
que é toda mãe, um buraco que chora sempre
ao entorno do vazio, e ali, qualquer coisa que caia, é tomado
como
filho, a rolha universal em-bebe-dada, o filho
é o buraco do buraco do buraco que gera ali, nas
ficções uterinas,

em seus silenciosos apagões, qualquer mãe.

Traga as suas vontades! e eu as criei sozinho como
o eco eterno das garrafas de café e sua
infinita infelicidade interna de se ver a si, assim, assis,
enquanto as tardes da minha infância
iluminavam a beleza do meu sexo descansado
sobre meu corpo e meus olhos molhados, as mãos
atentas e um anúncio solar me queimando
as costas como quem batesse, e batia,

e dissesse:
será como se nunca


amanhecera
amanhecera
amanhã cera
a mãe cera
a mão cera
amanhecera

amanhecera
como se fugisse a luz das palavras ou
dedilhasse o céu da boca escondido ou
regurgitasse todo o azedo das carambolas
verdes que comi, que comemos ou
nascesse por dentro as árvores de todas as
sementes que engoli, que engolimos ou
desaparecessem todos os filhos e somente
sobrasse o eco das garrafas maternas e
um grito de fuga como se

nunca.